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Três perguntas para Luis Antonio Lindau, Diretor do Programa de Cidades do WRI Brasil

Publicado em terça-feira, 6 de novembro de 2018

Newsletter - 06/11/2018 - 52ª Edição

Transportes coletivos de alta qualidade, redução da velocidade máxima permitida para tráfego de veículos em vias urbanas e melhoria dos espaços destinados a pedestres são algumas das soluções que contribuem para a redução de mortos e feridos. A avaliação é do professor Luis Antonio Lindau, Ph.D em transportes e diretor do Programa de Cidades do WRI (world Resources Institute) Brasil, onde lidera e fornece orientação técnica para uma equipe de profissionais que trabalham para a implementação, no Brasil, de projetos construídos dentro do âmbito da estratégia global do WRI Ross Centro para Cidades Sustentáveis. Segundo o especialista, por muito tempo, as cidades focaram na circulação de automóveis e não de pessoas, visão que não considerava todos os usuários das vias. Confira abaixo iniciativas do WRI que têm colaborado para trazer mais segurança aos espaços urbanos.

O foco do seu trabalho no WRI é a promoção e a operação de sistemas de transporte coletivo de alta qualidade. Você acredita que melhorias na mobilidade e o incentivo à criação de transportes sustentáveis podem contribuir para ampliar a segurança viária? De que modo?

A implantação de sistemas de alta qualidade de transporte público representa grandes benefícios na mobilidade urbana e na qualidade de vida da população. Esses projetos são uma oportunidade para contribuir para a redução no número de mortos e feridos e, também, para a melhoria dos espaços destinados a pedestres, implementação de infraestrutura para o uso de bicicletas, e gerenciamento de conflitos entre diferentes usuários da via, facilitando a convivência segura entre todos.

Projetos de infraestrutura que priorizam a segurança podem contribuir com reduções de até 50% em vítimas fatais e pessoas feridas. É importante observar as experiências acumuladas, os problemas enfrentados e as soluções adotadas. A implementação de sistemas BRT geram impactos positivos sobre a segurança quando as cidades retiram faixas de tráfego, introduzem canteiros centrais, reduzem distâncias de travessia de pedestres e proíbem a conversão à esquerda na maioria das interseções. O sistema BRT contribuiu com uma redução no número de mortes de 48% em Bogotá e de 68% em Guadalajara, por exemplo.

Além da integração de modais, que outras medidas poderiam ajudar a reduzir acidentes de trânsito com vítimas?

No Brasil, a cultura do cinto de segurança e do capacete nas motos já está bastante presente. Crescem também outras iniciativas de controle como a da Lei Seca. Infelizmente os avanços em ações de controle ainda não têm paralelo na reengenharia da infraestrutura das vias urbanas.

Por muito tempo as cidades focaram na circulação de automóveis e não de pessoas. Essa visão inclui projetos e diretrizes que não consideravam todos os usuários da via, como por exemplo a falta de espaços seguros para a circulação de pedestres e ciclistas e excessivos limites de velocidade. Para reduzir as mortes no trânsito, o poder público deve adotar medidas para melhorar a infraestrutura das vias urbanas que vão muito além da introdução de quebra-molas. É preciso melhor adequar o desenho das vias aos seus usuários e limites condizentes de velocidade.

A legislação brasileira permite um limite de velocidade em áreas urbanas que, de acordo com as boas práticas de segurança, é muito alto. Os limites atualmente adotados pelas cidades não são seguros e devem ser reduzidos. São Paulo, por exemplo, reduziu o limite de velocidade em mais de 900km de vias, sendo que quase a totalidade das vias arteriais teve seu limite reduzido de 60km/h para 50km/h. Resultados mostraram que logo no primeiro ano houve uma redução de 15,9% na morte de motociclistas. No caso das marginais, durante o período de 2014 a 2016 em que houve a redução, ocorreu um decréscimo de 42% (no número de vítimas fatais e feridas) enquanto que a cidade mostrou uma redução de 27%. O limite de velocidade de 50 km/h possibilita a fluidez do trânsito ao mesmo tempo em que respeita a fragilidade da vida humana, diminuindo o risco de acidentes graves ou fatais.

Que propostas o WRI tem para melhorar a segurança no trânsito?

O WRI busca colaborar com a melhoria da segurança através de apoio técnico à implantação de projetos de qualidade e que priorizem pedestres, ciclistas e o transporte coletivo em cidades ao redor do mundo, tais como São Paulo, Belo Horizonte, Fortaleza, Cidade do México, Bogotá e Istambul. Este suporte inclui a realização de capacitações técnicas, auditorias de segurança viária, ferramentas de análise e coleta de dados de acidentes de trânsito e apoio à elaboração de Planos de Segurança Viária.

Além disso, o WRI Brasil elaborou diversas publicações que possibilitam que as melhores práticas em segurança viária sejam conhecidas e aplicadas às cidades. As publicações fornecem conhecimento técnico e teórico sobre diversos temas, incluindo impacto da redução de velocidade (Impactos da Redução dos Limites de Velocidade em Áreas Urbanas), redesenho de vias com foco em segurança viária (O Desenho de Cidades Seguras) e qualificação do transporte público (Qualiônibus e Segurança Viária em Sistemas Prioritários para Ônibus).

Todas as publicações do WRI Brasil, órgão que atua no desenvolvimento de pesquisas e implementação de soluções sustentáveis, são disponibilizadas gratuitamente através do website www.wribrasil.org.br.



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