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Viver Seguro no Trânsito

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  • Vítimas precisam ter voz no combate à violência no trânsito

    Crédito: FreeImages.com/Frank Michel Crédito: FreeImages.com/Frank Michel

    Segundo os dados do Seguro DPVAT, em 2015, foram pagas indenizações pela morte de 42.501 brasileiros e, por invalidez permanente, para mais 500 mil pessoas. Estudo encomendado pelo Centro de Pesquisa e Economia do Seguro (CPES) estimou que os acidentes no trânsito brasileiro provocam perdas anuais da ordem de R$ 197 bilhões para o país, o equivalente a 3.3% do PIB. Considerando o impacto econômico dos acidentes e o drama humano, os números são muito maiores quando consideramos os familiares das vítimas que sofrem com a perda de um ente querido ou mesmo com a triste luta diária dos que ficam inválidos.

    Evidente que as autoridades têm que tomar medidas para combater a violência no trânsito, mas é preciso também o engajamento da sociedade, em particular das vítimas de trânsito e seus familiares. A voz das vítimas e suas famílias tem muito mais força porque são fruto da legítima dor. Para que essa voz ecoe é importante que ela tenha canais próprios e seja organizada. A melhor forma é através de associações e ONGs, formais ou não, mas que tenham metas e objetivos bem definidos. Por exemplo, faixas exclusivas para pedestres, sinal de trânsito, passarela, palestras nas escolas, aumento da fiscalização, enfim, questões que digam respeito ao dia a dia das pessoas e onde elas vivem.

    Embora seja importante que as organizações desse gênero tenham propostas mais amplas para uma política estadual ou mesmo nacional de combate à violência no trânsito, é através de iniciativas micro que obtemos resultados mais rápidos e fica mais fácil engajar as pessoas. Com o tempo, as entidades podem se organizar em associações na sua cidade, no estado e até mesmo de cunho nacional. Levando propostas para o Legislativo e Executivo, ou seja, começar batendo na porta do prefeito para chegar um dia na porta da Presidência da República. Como aliado importante, as vítimas de trânsito, seus amigos e familiares, devem procurar a imprensa do seu bairro, cidade ou região. Os veículos de comunicação são sensíveis e abrem espaço para causas como a violência no trânsito.

    Portanto, no nosso entender, é importante que as vítimas, seus amigos e familiares não se calem, não fiquem com a dor no seu peito, mas que façam parte dessa luta e contribuam com sua presença, manifestação, ideias e depoimentos. Nem que seja como uma maneira de homenagear as vítimas e evitar que novas existam.

    Rodolfo Alberto Rizzotto

    Formado em Direito e Economia, coordena o programa de segurança nas estradas SOS Estradas e edita o site www.estradas.com.br, onde é possível acompanhar os temas de seus artigos também em arquivos de áudio, disponíveis para download.