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Três perguntas para Fernando Diniz, presidente da ONG Trânsito Amigo

Publicado em segunda-feira, 15 de abril de 2019

Newsletter - 15/04/2019 - 76ª Edição

Criador e presidente da ONG Trânsito Amigo - Associação de Parentes, Amigos e Vítimas de Trânsito, Fernando Diniz tem dado contribuições relevantes ao debate sobre segurança no trânsito desde que perdeu o filho mais velho em um trágico acidente de trânsito, ocorrido no Rio de Janeiro, em 2003. Além de participar ativamente de conferências sobre o tema no Brasil e no mundo, com atuação destacada especialmente nos fóruns organizados pela Organização das Nações Unidas (ONU), Diniz foi um dos principais mentores e teve papel decisivo na aprovação da Lei 11.705/08, a chamada Lei Seca. Atuou, ainda, no desenvolvimento da Operação Lei Seca no Rio de Janeiro que, por sugestão da Trânsito Amigo, se diferencia daquelas desenvolvidas nos demais estados por envolver, de maneira integrada, ações do Detran, Guarda Municipal, das Policias Civil e Militar e da Polícia Rodoviária Federal. Integrante da Câmara Temática de Educação e Habilitação do Contran, Diniz defende que os condutores devam ter uma formação de excelência e que as leis sejam mais rigorosas na punição de infratores, a fim reduzir o número de acidentes fatais no país.

O Governo Federal retomou o processo de discussão para reformular as regras de formação de condutores. Como enxerga esse tema no país?

A formação de condutores, principalmente a teórica, é tão importante que deveria ser iniciada no ensino básico. Conheço experiências desse tipo que são muito bem-sucedidas. Quando falamos dos CFCs (Centros de Formação de Condutores) estamos tratando de gerações futuras de motoristas e precisamos formar adultos responsáveis no trânsito, que é um ambiente compartilhado por todos, embora não o considere um espaço democrático, conforme definido por muitos, visto que a democracia pressupõe o respeito ao direito do outro viver bem e melhor. E não é isso o que acontece no Brasil, onde o trânsito mata de maneira indiscriminada. Por isso, defendo educar as crianças e punir adultos infratores. É preciso ter leis cada vez mais rigorosas para dar fim à impunidade. Estou há 16 anos nessa causa e não vou parar nunca.

Estatísticas do Seguro DPVAT apontam que o número de vítimas fatais em acidentes de trânsito é alarmante, indicando que o Brasil, possivelmente, não conseguirá cumprir a meta da ONU de reduzir à metade as mortes decorrentes de acidentes até 2020. Como vê essa situação?

Devo dizer que as estatísticas do DPVAT são as mais confiáveis que conheço e que as utilizo em minhas apresentações, pois, no Brasil, os índices oficiais se baseiam nas mortes ocorridas no momento dos acidentes, enquanto que, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 5% dos feridos morrem em até 30 dias após o registro dessas ocorrências, em casa ou nos hospitais. Quando estamos falando de vidas, qualquer imprecisão estatística é inaceitável. Ainda assim, o Brasil, infelizmente, tem demonstrado que não vai atingir a meta.

Como tornar o trânsito menos violento?

Queremos transitar – seja dirigindo, andando ou de bicicleta – com segurança. O Poder Público tem obrigação de garantir a segurança no ambiente viário. De que maneira? Melhorando as leis, investindo mais. A legislação tem que ser respeitada e a fiscalização e a punição devem ser rigorosas. Eu vou encerrar com uma frase que não canso de repetir: ”No trânsito, faça a sua parte sempre com muita responsabilidade porque ninguém está livre de se tornar a próxima vítima”. A sociedade tem que se unir em torno dessa ideia! A VIDA AGRADECE!

Mais detalhes sobre a ONG podem ser conhecidos no site www.transitoamigo.com.br



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